Ouro - Cuidados com a joia e Curiosidades

O Ouro

O ouro, embora seja bastante forte, é também o mais maleável dos metais. É encontrado em rochas ígneas e em veios de quartzo sob a forma de grãos, lâminas, e raramente, cristais. E em depósitos aluviais secundários, como pepitas ou grãos em arenito e cascalho fluvial.

Calcula-se que, atualmente, existam no mundo cerca de 125 mil toneladas de ouro garimpado. A produção anual das minas gira em torno de 2.200 toneladas. No Brasil, a produção atual gira em torno de 75 toneladas por ano. Sua cor amarelo metálico pode variar devido a variação de impurezas. É imune à ferrugem, corrosão, sujeira, água e aos ácidos. A pureza do ouro é definida pela proporção de metal de ouro puro presente, e está expressa por seu valor de quilate.


O Ouro Branco

O ouro branco é tão valioso quanto o de outras cores. Normalmente ele é composto a partir de uma mistura com o níquel ou a prata e o paládio e, por essa razão, seu aspecto final opaco e acinzentado ou amarelado.

Para que tenha brilho, é necessário que ele passe por um processo técnico de acabamento, popularmente conhecido como "banho de ródio". Por isso, com o tempo, sua peça tende a desgastar o brilho.


O Quilate do Ouro

É a forma de dizermos a proporção de ouro que entra numa liga. O ouro puro é denominado ouro 1.000 ou 24 quilates (24K). Na realidade, o ouro nunca tem uma pureza total. A classificação mais alta é de 999 pontos. O ouro 24K que chamamos de 100% puro equivale a 999 pontos na escala européia.

O uso do quilate como medida do teor de ouro em uma liga é muito antigo e muito comum, mas tem alguns inconvenientes. O principal deles é o fato de a palavra quilate ter um segundo significado, completamente diferente, mas também usado em gemologia e joalheria. Com o símbolo ct (de carat), quilate é unidade usada para definir o peso de uma gema. Nesse sentido, 1 ct equivale a 200mg.

Quilate / Conteúdo de Ouro / Pureza:
24K / 100% / 999
18K / 75% / 750
14K / 58,3% / 583
10K / 41,6% / 416

O ouro puro não é usado em joalheria. Ele é usado em instrumentos científicos, na indústria eletrônica e principalmente como lastro monetário, na forma de barras e lingotes.


Escurecimento do Ouro

Jóias em ouro podem escurecer ao longo do tempo devido a um processo de oxidação. Na produção, elas passam por um tratamento à base de ácido, que em alguns casos pode ficar retido em microporosidades. Em contato com calor, ar ou umidade, o ácido provoca uma ação oxidante nos componentes da liga, escurecendo as peças.

Pessoas com taxa elevada de ácido úrico ou que fazem uso de determinados remédios tendem a provocar o escurecimento do metal também.


Cores variadas de ouro

Ouro amarelo = ouro + prata + cobre
Ouro vermelho = ouro + cobre
Ouro marrom = ouro + paládio + prata
Ouro pérola = ouro + prata + cobre
Ouro branco = ouro + paládio
Ouro cinza = ouro + ferro branco puro + cobre
Ouro negro = ouro + prata + ferro (ou aço)
Ouro azul = ouro + prata + zinco
Ouro verde = ouro + prata
Ouro rosa = ouro + prata + cobre
Ouro púrpura = ouro + alumínio + tório
Ouro lilás = ouro + zinco (impossível de trabalhar em joalheria)


Acabamentos para jóias em ouro

Os ourives, ao longo dos séculos, desenvolveram uma série de técnicas mais sofisticadas, que conferem aparências diferenciadas às jóias, muitas vezes com a utilização de volumes. Confira algumas:

Craquelado: a chapa de metal é trabalhada de forma irregular, montada em degraus, em pedaços sobrepostos de tamanhos diferentes, maiores e menores, dando à superfície do metal uma aparência de pequenas “rachaduras”.

Esmaltação: o metal é colorido utilizando-se esmaltes de base vítrea e óxidos metálicos, que são derretidos no fogo e, na forma líquida, aderem ao metal. Por isso, a técnica é também chamada de “esmaltação a fogo”.

Filigrana: fios de ouro finíssimos são cortados, torcidos, entrelaçados e soldados, produzindo delicados e elaboradíssimos desenhos, de aparência rendilhada ou mesmo dando a impressão de ser composto por micro esferas. Técnica muito antiga, bastante utilizada pelos ourives bizantinos.

Gravação: uma das mais antigas técnicas de joalheria, pode ser feita utilizando-se ferramentas apropriadas, como o buril, ou mesmo produtos químicos, que “queimam” o metal, formando desenhos ou inscrições, como os nomes que aparecem nas alianças de casamento.

Granulação: micro esferas de metal precioso são colocadas lado a lado, unidas umas nas outras ou sobre uma superfície de metal.

Repoussé: os desenhos do acabamento são em alto relevo, cunhados a partir do avesso do metal, com o uso de pequenos martelos.

Tessuto: o ouro é trabalhado como se fosse a trama de um tecido; daí o nome, “tessuto”, que em italiano quer dizer tecido.


Santo Elói, o padroeiro do ourives

Corria o século VII quando o rei Clotário II, desejoso de possuir um trono de ouro, reuniu grande quantidade desse metal e começou a procurar algum ourives que lhe executasse o serviço. Mas todos os ourives que encontrou, sendo desonestos, lhe diziam que o ouro acumulado não era suficiente.

Afinal apareceu Elói, mestre afamado de ourivesaria, e declarou que aquele ouro era suficiente para a confecção do trono. O contrato celebrado, Elói recebeu o ouro e se pôs a trabalhar. Sendo honestíssimo, aproveitou bem o ouro recebido e conseguiu com ele fazer não somente um, mas dois tronos, e os entregou ao rei.

Admirado com a honestidade do artista, Clotário o nomeou guardião e administrador do tesouro real. Essas funções foram mantidas por Elói durante o reinado de Dagoberto II, filho de Clotário.

Depois de muitos anos de bons serviços ao rei e ao reino, o antigo ourives foi feito bispo de Noyon, revelando-se um grande e zeloso prelado que estendeu suas atividades apostólicas muito além dos limites de sua diocese e até mesmo do reino.